amor à camisola, primórdios II
Robert Downey Jr. e Jamie Foxx em The Soloist
Idealizo-me assim neste género de jornalista, embrenhado numa história profunda onde os seus protagonistas nos ensinam tamanhas verdades, percepções que não encontramos em livro algum.
Ah, e o filme está mesmo muito bom.
amor à camisola, primórdios I
Disseram-me nos primeiros dias do Secundário que vir para um curso de ciências sociais não ia ser pêra doce. Que isso de fugir à matemática tinha os dias contados e era preciso trabalhar muito para atingir níveis satisfatórios. Acrescentaram também que embora os das ciências exactas tenham uma empregabilidade mais elevada, não vão para o ensino superior com as bases culturais que os de humanidades vão.
Até ao fim do ano passado tive sempre as minhas dúvidas quanto aos argumentos acima referidos. Humanidades é, de facto, mais fácil que ciências exactas - que nem seja apenas pela maior liberdade criativa. Sem ser o marranço para história, saltitamos de disciplina em disciplina apoiados no método de compreender sem decorar com resultados mais que positivos.
Quanto às bases culturais, apenas este ano percebi o que queriam dizer com isso da bagagem cultural - nada como nos debruçarmos sobre Sociologia e Ciências Políticas, manuais de civismo e cidadania, que nos oferecem as ferramentas para observarmos quem e o que nos rodeia, analisando e criando opiniões sólidas e fundamentadas. (e ainda nem dois meses de aulas tive)
Já na volta final, a queimar os últimos cartuchos antes de me preocupar com provas de ingresso na faculdade e médias de entrada, sinto que finalmente encontrei algo com que relacionar a profissão que quero seguir (jornalismo), coisa que até então, por muito que forçasse e mentalizasse, ainda não tinha ocorrido.
E finalmente trabalho com gosto. Que seja assim para o ano e até ao fim da minha vida profissional.
(caso haja alguém que por aqui passe e esteja a tirar o curso de jornalismo, toca de aconselhar o pic que está sedento de curiosidade em saber tudo sobre o assunto)
E finalmente trabalho com gosto. Que seja assim para o ano e até ao fim da minha vida profissional.
(caso haja alguém que por aqui passe e esteja a tirar o curso de jornalismo, toca de aconselhar o pic que está sedento de curiosidade em saber tudo sobre o assunto)
pensamento de final de semana
É em alturas de me**a que vale a pena acreditar no karma. Hoje roubaram-me o telemóvel, amanhã, quem sabe, encontro uma nota preta caída no chão.
desfalecido
Outubro é Outono. Outubro é um bocadinho de casacos e de vez em quando cachecóis. Outubro não é uma tarde inteira de graus acima dos 28 e muito menos destilar numa caminhada de duas horas e meia nas ruas íngremes de Lisboa.
Para além de me apanhar nestas partidas da temperatura, assusta-me a mudança, tão notável quanto acelerada, das estações e da extinção das mesmas. O melhor é mentalizar-me que a velhice será passada num Portugal tropical, sem meios termos entre Invernos suaves e Verões intensos e equatoriais.
uma relíquia
Produto da junção de duas mentes brilhantes (Diablo Cody e Steven Spielberg). Tão, mas tão bom.
(confesso que já tinha uma paixãozita pela Toni desde o Little Miss Sunshine, mas a interpretação desta(s) personagem(s) é o cúmulo da excelência)
comprei um camisolão de lã que pica para os próximos invernos
Gosto muito da lojinha vintage da baixa lisboeta. A Outra Face da Lua. Especialmente quando, numa visita ao centro da capital por motivos de outra natureza, passamos por lá e a dita está em Stock Sale (ou seja tudo a €5).
E não pensem que se trata daquelas tramóias em que tiram da nossa vista tudo o que seja minimamente interessante, não senhor, estamos a falar de reposições diárias, uma panóplia de camisas de flanela, casacões da Adidas bem ao estilo berrante dos anos 80, e um vasto leque de roupas meio carnavalescas (que nos põe a pensar como era possível alguém usar aquilo sem ser para gozar).
Pena os chapéus, feitos à medida das cabeças que eram a dar para o microscópicas, não cabem a ninguém.
E não pensem que se trata daquelas tramóias em que tiram da nossa vista tudo o que seja minimamente interessante, não senhor, estamos a falar de reposições diárias, uma panóplia de camisas de flanela, casacões da Adidas bem ao estilo berrante dos anos 80, e um vasto leque de roupas meio carnavalescas (que nos põe a pensar como era possível alguém usar aquilo sem ser para gozar).
Pena os chapéus, feitos à medida das cabeças que eram a dar para o microscópicas, não cabem a ninguém.
todo um novo conceito de rede social
Aquelas porcarias do Facebook são viciantes. Em vez de estudar, estou a plantar morangos e abóboras.
eu gosto mesmo muito da megan mullaly
Aconselho para quem fica bem servido com coreografias modernas, ritmo q.b. e actores de sitcoms. Para os que preferem boas actuações, vozes do além e argumentos bem conseguidos - fiquem-se pela versão clássica. Este só desilude.
Confesso que já tenho saudades do tecto, daqueles textos sem título nem maiúsculas, minimalista e de pouco sentido. Por isso faço deste pinguim um misto: entre devaneios, discursos mais ou menos directos, inquietações. Tudo do mesmo sítio.
portugal numa redoma
Hoje foi dia de eleições para a AE, e lá me puseram nas mesas de voto, a pedir cartões de estudante e riscar os respectivos nomes da infinita lista de turmas.
É sempre bonito observar os meninos de 10, 11 anos que não fazem a mais pequena ideia do funcionamento desta coisa esquisita que é a canetinha e o papelinho branco, a urna, o voto secreto, a democracia. Respondemos sempre com a maior das simpatias às perguntas impensáveis de quem tem vontade imensa de fazer parte de algo maior que eles mesmos. Porque até são estes que mais participam, na idade em que política se resume a ler o programa de cada lista e escolher a que o pode representar da melhor maneira, sem corrupções nem críticas dispensáveis. É bonito, é sim senhor.
Já os oitavos e nonos é para a desgraça, porque nesta idade deve-se mais às hormonas que à inteligência, e votar não é nada fixe, bora masé contribuir para números ridículos de abstenção que é isso que se faz nas eleições a sério.
É sempre bonito observar os meninos de 10, 11 anos que não fazem a mais pequena ideia do funcionamento desta coisa esquisita que é a canetinha e o papelinho branco, a urna, o voto secreto, a democracia. Respondemos sempre com a maior das simpatias às perguntas impensáveis de quem tem vontade imensa de fazer parte de algo maior que eles mesmos. Porque até são estes que mais participam, na idade em que política se resume a ler o programa de cada lista e escolher a que o pode representar da melhor maneira, sem corrupções nem críticas dispensáveis. É bonito, é sim senhor.
Já os oitavos e nonos é para a desgraça, porque nesta idade deve-se mais às hormonas que à inteligência, e votar não é nada fixe, bora masé contribuir para números ridículos de abstenção que é isso que se faz nas eleições a sério.
Enfim, teve de tudo.
avé google que nos deste o reader
É estar como o outro: só sei que nada sei. Quanto mais descubro deste mundo blogueiro, maior é a minha percepção da infinidade de criatividade esparramada em posts, do imenso talento para a escrita tão cativante quanto tímido e bem escondido, que deixa quaisquer Margaridas Rebelos Pintos a um canto, e que nunca vou conseguir desfrutar por inteiro. Frustrante.
nr. 2
Jean (Hans) Arp (1887-1966) Alemanha/França
Untitled, c. 1926 Impressionismo
Arte moderna, contemporânea, indecifrável e demasiado rebuscada. Eu esforço-me, tento procurar o conceito e o processo de criação, perceber o porquê das formas e das cores mas nada tem título ou explicação em quase metade do espólio dos museus. E de vez em quando penso que a finalidade é chamar as pessoas de ignorantes, que a obra é obviamente valiosíssima e a plebe coitada só lá vai porque a entrada é gratuita. São os quadros e os vídeos repetitivos e sinistros, género mulher-nua-na-praia-a-brincar-ao-hoola-hoop-com-arame-farpado (isto no Serralves ou Berardo). Chiça.
"olha, afinal estava no modo de filmar!"
Como quase toda a gente, tenho imensa dificuldade em sorrir genuinamente para uma fotografia. Ainda para mais quando não fica bem à primeira, não se encontra o flash, continua desfocada, e alguém não percebe que é no botão grande e com força. Vamos ver e temos estampado um daqueles bem óbvios e só para a pose que não dá vontade de guardar, emoldurar e muito menos publicar nas milhentas redes sociais (já que a utilidade das fotografias tem sido cada vez mais para isso).
Sou apologista das caretas, línguas de fora, lábios torcidos, olhos revirados mas também das desprevenidas onde o sorriso não é direccionado para a câmara. Mas talvez eu seja de uma nova escola de momentos kodak, porque há quem não suporte "não ter uma única fotografia decente onde estejas a sorrir e a olhar em frente sem carinha de parvo". Essas do "olh'à foto" não pegam comigo, tendo preferência pelo estilo cinema, como se a câmara lá não estivesse.
É que quando tiver de netos ao colo, vou querer que se riam das caretas do avô e da sua juventude com "carinha de parvo", de quem a aproveitou ao máximo sem sorrisos amarelos.
provincianismo luso
Assisti ainda agora à estreia da terceira edição portuguesa dos Ídolos e tenho a dizer que a televisão não pára de me surpreender. Mas deve ser só a mim que incomoda ver as já patéticas figurinhas a serem gozadas na televisão nacional. É sempre aquela percentagem de povo tone deaf que ao seguir o conselho da mãezinha - ai filho cantas que nem um anjo!, acaba a soluçar para as câmaras que o júri é mau e injusto (mas bonito bonito é maquilhagem a borrar a face das meninas nervosas). Já para não referir a prestação dos apresentadores e os seus comentários bastante pertinentes. No mínimo dispensável.
(eu sei que o conceito nem é de cá, mas deve ser dos sotaques regionais e das expressões idiomáticas - saboreio involuntariamente um certo asco por quem pura e simplesmente não se enxerga e se deixa humilhar tão facilmente, ainda para mais por me saber da mesma terra que aquela gente*)
(eu sei que o conceito nem é de cá, mas deve ser dos sotaques regionais e das expressões idiomáticas - saboreio involuntariamente um certo asco por quem pura e simplesmente não se enxerga e se deixa humilhar tão facilmente, ainda para mais por me saber da mesma terra que aquela gente*)
*Arrogante, mas sincero. As minhas desculpas a quem se sentir ofendido.
carta
Se pudesse pedir-te um desejo, só um, era que não desistisses. Conseguisses ver a ambição, a capacidade de criar, a singularidade de que és feita. Agarrasses a vida pelos cornos e a domesticasses, bem ao teu jeito, nessa discreta forma de ser. Por um segundo que fosse, descobrisses o teu valor. Inestimável.
Corre, luta, desunha-te, esfola-te mas não desistas. Porque tens a minha palavra em como serás brilhante.
(é tudo uma questão de fé, acredita em ti S.)
(é tudo uma questão de fé, acredita em ti S.)
vá lá, optimistas
Engraçado como, no fim, todos os partidos saem vencedores e de braços erguidos. Uns que se agarram a números, outros à desgraça alheia, mas todos afirmam que se cumpriram os objectivos.
juventude mordaz
Eu queria mesmo poder votar amanhã, mas só daqui a uns meses é que sou "um cidadão socialmente consciente, responsável pelos meus actos e apto a integrar o largo grupo de eleitores que escolhe os nossos governantes". Por isso lá ficarei na passividade da coisa, a depositar a minha fé na inteligência do povo - os socialmente conscientes que têm o poder de decisão.
eu já sou um gleek.
"Breakfast Club meets Good Version of High School Musical" - só pode ser a melhor definição para o que esta nova série da Fox representa.
Ryan Murphy (criador de Nip/Tuck) consegue pegar no sobreexplorado mundo dos teens americanos e do high school e satirizá-lo de forma brilhante, (para além de apontar o dedo e gozar bem alto com os musicais do mesmo tema, onde todos cantarolam alegremente até à exaustão).
Fazendo eu parte de um coro que de vez em quando pega neste conceito de showchoir, penso que a série lhe faz justiça e tenta quebrar o preconceito de que coros/grupos musicais são para meninos de igreja ou adultos com algum tempo livre; porque sim, o resultado pode mesmo ser aquele: actuações explosivas que contagiam qualquer um com vontade de saltar da cadeira e desatar a dançar. (ver vídeo abaixo)
Fazendo eu parte de um coro que de vez em quando pega neste conceito de showchoir, penso que a série lhe faz justiça e tenta quebrar o preconceito de que coros/grupos musicais são para meninos de igreja ou adultos com algum tempo livre; porque sim, o resultado pode mesmo ser aquele: actuações explosivas que contagiam qualquer um com vontade de saltar da cadeira e desatar a dançar. (ver vídeo abaixo)
Argumento inteligente, boa escolha de actores (tanto os novos como os já conhecidos do público - Jane Lynch sempre hilariante) e músicas de qualidade surpreendente, que me deixaram boquiaberto (a versão de Don't Stop Believin' é arrepiante).
Para chegar a terras lusas ainda deve demorar uns mesitos, mas para quem não tem dificuldade com o inglês pode deliciar-se aqui.
"art is what you can get away with" *
* andy warhol
Idolatrar é não só apreciar o trabalho, mas também a coragem, paixão e dedicação. É reconhecer talento e capacidade de inventar, transformar, revolucionar e evoluir.
Uns dizem-no sobrevalorizado, que em nada contribuiu para o progresso artístico. Para mim é um génio, puro e duro.
comichão nr. 1
woodstock
... quando sou visto a ouvir Beatles, Joplin, Zeca Afonso, Pink Floyd ou outras lendas, e me é lançada a boquinha do "não poderás nunca conhecer a sério porque lá não estiveste, não fizeste parte", acompanhada com um olhar reprovador para o meu ipod, "sinal de geração facilitadora e consumista".
Posso não compreendê-los na totalidade, e sim, acredito que assistir a um concerto de um qualquer gigante musical do séc. XX é experiência marcante e inesquecível. Mas admitam, vocês só ouviam porque estava na moda. E isso não é nada fixe.
(à boa maneira de um blogger, comichões hão-de vir cá parar todas - que assunto de mais fácil dissertação não existe)
"homem de ideias assertivas" *
eu sei que isto há-de estar às moscas uns quantos meses (ou definitivamente, sei lá).
o objectivo é obrigar-me a mandar umas postas de pescada em forma de escrita; experimentando e definindo estilo/ideias já que, por agora, é o que apetece fazer o resto da vida.
*professora de sociologia
e um outro início
será mais um ponto. experiência e laboratório de ideias; talvez opiniões e a vontade infinita, leiga nas matérias da vida, de conhecer (no mais puro sentido deste termo). definitivamente mais uma partilha, entre tantas outras por aí espalhadas.










